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Não tenha um negócio baseado no que você sabe fazer

Eu sei, pode até parecer meio maluca essa afirmação, afinal se eu não for ter um negócio pelo que eu sei fazer, seria melhor então ter um negócio sobre o qual eu não entenda nada?


No artigo da semana passada eu afirmei que um negócio, antes de tudo, é um meio de reforçar e materializar a nossa identidade no mundo. Mas pense comigo, a grande maioria das pessoas que eu conheço e que você conhece, que abriram um negócio, o fizeram porque achavam ou ouviam que faziam algo muito bem.

Então, por que a maioria dos pequenos negócios é descontinuado nos seus anos iniciais de operação?

Por um motivo muito simples: complexidade. Não fazemos apenas aquilo que gostamos ou que dizem que fazemos bem. Ter um negócio e fazê-lo crescer, envolve tarefas múltiplas e complexas.


Não é verdade que alguém que costura muito bem terá uma confecção ou uma grife de roupas de sucesso. Tampouco, quem cozinha bem vai ter um restaurante famoso e premiado, todas conhecemos histórias de empreendedoras talentosas no “fazer” e que naufragaram suas empresas por desconhecer os processos necessários à sustentabilidade do empreendimento.


Hoje vou falar um pouco de como as mulheres negociam. Fortalecer suas competências comerciais é essencial para um bom desempenho no mercado e isso requer não só ter domínio do que se oferta, seja um produto ou um serviço, mas fundamentalmente, conhecer o que o seu mercado espera de você.


Neste sentido, não há como avançar sem uma boa dose de autoconfiança, independência e muito, muito treinamento. Algumas teorias sociais e biológicas colocam a mulher em grande vantagem nesse papel, por uma característica inata chamada visão periférica. Mulheres historicamente foram programadas para múltiplas tarefas, como cuidar da prole e do território, enquanto cabia ao homem a atividade da caça, que requer foco e visão concentrada. Contudo, socialmente o que percebemos, é que mulheres “pedem menos”, seja oportunidades, aumentos de salário ou insistência na hora da venda.


No livro Women don’t ask: The High Cost of Avoiding Negotiation – and Positive Strategies for Change Paperback (Mulheres não pedem: O alto custo de evitar negociação e estratégias positivas para alterar esse papel), das autoras Linda Babcock e Sara Laschever, um dado chama atenção: em pesquisas norte-americanas os salários iniciais anuais dos homens eram 7.6% ou quase US$ 4000 maior, em média, do que o das mulheres. Quando se avaliou a negociação salarial, a principal conclusão foi que a mulher, em regra, aceitava passivamente a oferta recebida, enquanto homens a negociavam. Os números impressionam, 7% de mulheres tentaram negociar o valor, enquanto 57% dos homens pediram aumentos, uma diferença colossal.

negociação


Quando comparamos isso com a atividade empreendedora, uma pergunta é bastante inevitável. Considerando que mulheres são mais atentas aos mais detalhes (visão periférica, lembram?), são mais emocionais e empáticas, ou seja, possuem maior capacidade de se colocar no lugar do outro, no caso, o cliente. Por que não temos tantas mulheres como referências nas áreas comerciais? Por que ainda é tão difícil construir e manter vínculos comerciais de longo prazo?


Em diversas outras perspectivas encontramos no mundo empreendedor que mulheres quando estão à frente de negócios próprios, possuem maior escolaridade que homens, dedicam mais horas ao negócio, são mais adimplentes, mas possuem negócios com menor grau de inovação, ou seja, com menor valor agregado, o que também dificulta a sua oferta no mercado.


As respostas para essas questões são muito variadas, mas todas passam principalmente por como você se vê, se valoriza e valoriza a sua oferta. Negociar é uma tarefa árdua e complexa e ninguém chega num ponto ótimo sem dedicação e constância. Persistir é a palavra do jogo.


Invista em você, em treinamentos, mentorias e consultorias que te levem a novos e melhores espaços além do saber fazer. E principalmente, acredite. Funciona.


Bons negócios!

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*Os textos de nossas colunistas são de inteira responsabilidade das mesmas e não refletem, necessariamente, a opinião da Donadelas.

3 respostas

  1. Funciona. O caminho é longo, árduo, desafiador… e em muitos momentos pensamos em desistir ou nos acomodar com o que já conquistamos… mas… aos poucos, com determinação e muita resiliência, a gente vai conseguindo conquistar alguns espaços predominantemente masculinos… grata por compartilhar esse texto, Hannah!!!

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