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Quanto os sócios podem sacar do lucro da empresa?

Em todos estes muitos anos que me dedico apoiando integralmente a atividade empreendedora, esta talvez seja uma das perguntas que mais ouço: afinal, quanto os sócios podem sacar do lucro da empresa? Será que há uma fórmula única para descobrir esse valor? Há uma conta exata para isso?


Com certeza que não. Tecnicamente falando, os sócios de um empreendimento podem ficar com todo o lucro do negócio, afinal este é o grande prêmio por tanto trabalho, dedicação e esforço, certo? Nada o impede de tomar para si esse montante. Mas será que convém? 


Quando me perguntam quanto os sócios podem sacar do lucro da empresa eu sempre dou a mesma resposta: depende. E é sobre esse “depende” que vamos falar hoje neste espaço dedicado a nós, empreendedoras.


É preciso definir um pró-labore

O primeiro passo certamente é definir um pró-labore para o sócio. Ele trabalha, se esforça, se dedica e precisa ser remunerado por isso. Além de tudo, o recebimento do pró-labore mensal evita que ele utilize a conta da empresa como se fosse sua, pagando até o cafezinho na rua com dinheiro do empreendimento.


O pró-labore é como um salário mensal que o sócio recebe. Exatamente como qualquer outro colaborador. Não defini-lo é um erro muito sério, que pode ter consequências desastrosas. Quando o empreendedor utiliza a conta bancária da empresa como se fosse sua, perde o controle, e isso pode ser fatal.


Portanto, defina isso com o seu contador!


E a distribuição de lucros?

Usufruir do lucro da empresa é um direito do empresário. É a sua conquista, é um dinheiro merecido. Mas antes de distribuí-lo, é preciso analisá-lo. Qual foi o lucro realizado aquele ano? Quanto a empresa se endividou ou precisa investir em máquinas ou compra de matéria-prima ou troca de ponto de venda, enfim, quanto ela precisa para operar melhor e crescer? O lucro não anda sozinho, é preciso olhar para ele no contexto geral do negócio.


Se a empresa está começando e os investimentos ainda estão sendo feitos para fortalecer o negócio, é preciso pensar numa distribuição de lucros pequena, que privilegie o investimento no empreendimento. Separe uma boa parte para reinvestir no negócio e o pouquinho que sobrar pode ser distribuído.


Quando o lucro é razoável e estável, recomenda-se retirar até 30% dele para os sócios. O montante que sobrar deve compor uma reserva para o negócio. Agora, se o lucro for grande, até mesmo superndo as expectativas, e a empresa tiver boas reservas financeiras, a distribuição pode ser bem maior, em geral até 80% do valor lucrado (lucro real).


Olhe para o lucro com olhos críticos

Isso mesmo, olhe para o lucro com olhos críticos. Vou dar um exemplo bem característico: uma pousada fatura muito em janeiro e fevereiro, por conta da alta temporada, e o lucro dispara neste período. Mas de março a junho o movimento sempre cai assustadoramente, e será preciso contar com uma reserva para tocar o negócio. Portanto, distribuir 100% do lucro dos primeiros meses do ano seria temeroso para esse negócio.


Você precisa pensar no lucro do ano fiscal, não de um ou outro mês. Mais uma vez, volto a pontuar: é o pró-labore que garante o sustento do empresário, é esse dinheiro que vai bancar o seu dia a dia. O lucro é consequência do trabalho, um prêmio pela dedicação e deve ser encarado como tal, mas sempre privilegiando o bom andamento da empresa.

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